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A história da ex-costureira que passou a faturar milhões acreditando no ensino da igualdade de gênero

Por Leiza Oliveira, CEO e diretora educacional da rede Minds Idiomas
 

Quando eu tinha 15 anos comecei a costurar lingeries e vender para as minhas vizinhas, amigas e conhecidas. Na época cursava magistério, curso que minha mãe custeava com muito sacrifício. Conciliava estudos e o trabalho como costureira, a minha rotina não era fácil, mas teve as coisas boas. Uma delas foi a oportunidade de conviver com várias mulheres, uma diferente da outra, com valores diferentes, gostos diferentes e acima de tudo uma singularidade evidente em cada personalidade. Na sala de aula tinha contato com indivíduos variados: adultos, jovens, e idosos.

 

Esse relacionamento que tive com pessoas heterogêneas, o micro empreendimento da vendas das minhas lingeries e o amor que fui criando pela sala de aula me fez ter a convicção que queria ter um negócio na área da educação, porém um negócio que fosse além das travas sociais e/ou tradicionais. Queria uma escola que acima de tudo respeitasse a forma de ser e viver de cada aluno. Assim, com muita economia e com o apoio do meu amigo e atual sócio Augusto Jimenez, consegui criar em 2007 a minha primeira escola de inglês, a Minds Idiomas na cidade de Porto Alegre.

 

O Sul é conhecido por ser um polo altamente exigente no que tange a educação, eu e o Augusto sabíamos que teríamos que entregar um ensino de qualidade aliado a algum diferencial, e o principal deles foi a implantação da igualdade de gênero nas salas e dependências das escolas. Começamos por não diferenciar no material didático os diálogos entre homens e mulheres, mostrando que todos podem conversar sobre o que quiser e da forma que quiser. A maioria do contexto estigmatizado de diferenciar meninos e meninas acontece nos livros. Quebramos esse paradigma. Outro diferencial foi a adoção da tecnologia no aprendizado sem perder o olho no olho com os colegas e professores.

 

O primeiro advento tecnológico foi a inclusão de todo o material didático no tablet, porém mantemos também o impresso. Fizemos isso para adaptar o conteúdo da escola a forma de aprendizado do aluno, pois muitos são visuais. Sempre tivemos como premissa o respeito pelo ritmo e a forma da captação de conteúdo pelo aluno. Alguns são auditivos, outros visuais, outros precisam escrever toda a lição num material impresso. O que a Minds sempre quis foi respeitar o ritmo do indivíduo. Afinal aprender inglês não é óbvio para todos. Cada um tem uma facilidade de absorver uma nova língua e isso expande e muito o cérebro da pessoa e a visão de mundo que ela tem.

 

Como o aprendizado de um novo idioma amplia a visão que cada ser humano tem do seu contexto social, reforçamos na sala de aula mostrando que a igualdade de gênero só tem a ganhar para a vivência social, ou seja, o aluno aprende inglês com temas como a igualdade de gênero, inclusão social e preocupação com o meio ambiente.

 

Também promovemos atividades na sala de aula com dinâmicas incentivando a prática da igualdade de gênero e que os meninas / meninos podem sonhar com o que bem quiser para o seu futuro. Sem diferença alguma independente do sexo e/ou classe social. Promovemos nas salas de aula o debate sobre a erradicação dos estereótipos que envolvem ambos os sexos. O principal intuito que quis implantar nas escolas foi formar alunos críticos e reflexivos. Para isso, formamos docentes ouvintes e que combatem qualquer tipo de preconceito.

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