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Sua Excelência o umbigo, o inimigo público da cidadania

* Por Nelson Tucci

 

Sobre o umbigo, diz o dicionário:

 Anat. Cicatriz arredondada, deprimida ou saliente, formada no meio da barriga pelo corte do cordão umbilical: "...os pés batiam no chão, os umbigos batiam nos umbigos (...) estavam todos embriagados, uns de cachaça, outros de música." (Jorge Amado, Jubiabá)

Você já reparou no extraordinário senso de solidariedade que tem o brasileiro? Apenas para ficarmos com o registro mais recente da história, ainda vagando por nossa memória, vamos recordar da tragédia da região serrana do Rio. Há um ano, mais ou menos, assistíamos pela TV e víamos registros diários em sites, blogs, redes sociais, jornais e revistas centenas de casas destruídas, ruas e estradas intransitáveis, bairros submersos, com saldo final de mais de 500 mortes e aproximadamente 5.000 desabrigados. Comoção nacional. Corta a cena.

Pouco antes disso – há uns três anos -- tivemos o caos instalado em cidades de Santa Catarina, mais especificamente no Vale do Itajaí e cercanias. Outra comoção nacional. Corta a cena.

Noutras partes do mundo também se encontra esse tal espírito de solidariedade. Diante das megatragédias países, comunidades inteiras e pessoas individualmente se mobilizam para prestar auxílio ao seu irmão da espécie, ignorando território, cor da pele, credo religioso, idade, paixão clubística ou qualquer outro viés de rotulação.

A grande questão é: POR QUE, ENTÃO, nos comportamos como seres supremos na tragédia e no dia a dia temos modos e impulsos irracionais? Que bicho é esse tal de ser humano?

Senão vejamos: se você pega um trem de metrô com alguma frequência, ou ônibus, ou trem de subúrbio, ou táxi em dia de chuva, vai ter oportunidade de perceber, se é que ainda não o fez, distúrbios comportamentais. Não é preciso um cenário sofisticado para se apreciar alguns exemplos de mesquinhez da raça. Uma escada rolante já é suficiente.

Na chamada baldeação – ô palavra horrorosa ! – de um trem para o outro (seja de metrô ou não), ou em uma conexão entre trem e metrô, por exemplo, pessoas lançadas à plataforma preferem, em sua maioria, as escadas rolantes rumo ao outro transporte ou até mesmo em busca da saída.

Escadas rolantes são sempre muito finas e elegantes, comportando um determinado número de pessoas – independentemente se a turba está indo pro trabalho ou voltando pra casa; se é dia de jogo do Corinthians ou do Juventus, do Olaria ou do Flamengo. Ao contrário dos automóveis e de algumas modernas pessoas, as escadas não são flex. Conservadoras, porém delgadas, as escadas rolantes mantêm o alinhamento, tamanho e personalidade do século passado.

Logo, pinta gargalo nesses momentos de aglomeração humana. Se você estiver em meio à massa humana tente sair rapidamente de lado e apenas observar. A turba ignara faz igual aos bois quando vêem a porteira aberta: abaixam a cabeça e vão com tudo pra cima de quem ou do quê se lhes estiver à frente. É o homem mal educado, que “se acha no direito” de passar na frente de todos porque tem trabalho a resolver, é a mulher mal educada, que empurra e ainda faz cara feia, porque “se acha no direito” de passar ( pela sua condição de mulher e, portanto, os demais que sejam cavalheiros, talvez ? ) é o idoso que “se acha no direito” de passar primeiro porque todos são obrigados a respeitar a cronologia do seu nascimento, é o adolescente que não acha nada mas raramente pede licença aos outros mortais e por aí vai.

Tem-se a sensação de que existe um código perverso estabelecendo a moral do ´quem pode mais chora menos´. Criaturas ficam ensandecidas por acreditar, várias delas, que “têm o direito” de passar à frente dos demais.

E essa loucura repete-se no dia a dia da nossa gente. É na fila do banco, na vaga de estacionamento ou simplesmente no trânsito. Quantas vezes você já não ouviu a seguinte frase: “Dá vontade de matar esse (a) motorista, que entra na ´minha pista´ de qualquer jeito”. Ou ainda, “essa vaga é ´minha´, porque a vi primeiro”. E por aí vai. As pessoas se apossam de coisas, lugares (os públicos, inclusive) e códigos.

A mesquinhez e a incompreensão nos torna tão amargos e pequenos, no dia a dia, que fica difícil acreditar na pureza do sentimento de solidariedade em tempos de tragédia.

É cada um (a) olhando o tempo todo para o seu umbigo, para “os seus direitos, a sua hipotética preferência”, esquecendo que solidariedade e cidadania devam ser EXERCÍCIOS PERMANENTES. Pequenos gestos de caridade para com o próximo nos torna mais dignos e merecedores de viver em harmonia, aproveitando o que há de melhor no planeta. Como dizem os espíritas, “fora da caridade não há salvação”.

* Nélson Tucci é jornalista, sócio da Virtual Comunicação. Colunista de Plurale, colabora com artigos sobre sustentabilidade.

 

Fonte: Divulgação

Sobre o autor:
Equipe RME

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