Campanha Latino-americana pelo Direito à Educação lança site na Semana de Ação Mundial, de 2 a 8 de maio.
A Campanha Latino-americana pelo Direito à Educação (CLADE), com apoio de redes e fóruns aliados, lançará um site (http://www.campanaderechoeducacion.org/sam2011) para dar visibilidade às desigualdades de gênero nas práticas educativas. O lançamento faz parte das atividades da CLADE para a Semana de Ação Mundial 2011, mobilização coordenada internacionalmente pela Campanha Mundial pela Educação que, entre os dia 2 e 8 de maio, fomentará ações e discussões em mais de 100 países sobre a educação de meninas e mulheres.
O site será um espaço de compartilhamento de histórias de mulheres, homens e crianças sobre suas vivências de discriminação de gênero nas escolas. Além disso, haverá uma compilação de jogos/games não-sexistas, uma biblioteca on-line sobre o tema e informes sobre as atividades das coalizões nacionais articuladas à CLADE em mais de 18 países da região.
Segundo a coordenadora da Campanha Latino-americana e presidenta da Campanha Mundial pela Educação, Camilla Croso, a discriminação de mulheres está presente em todos os momentos, espaços e relações do ambiente escolar. Segundo posicionamento público da rede, são vários os fatores que contribuem para essa realidade, e entre eles a repetição, no ambiente escolar, de ideias estereotipadas sobre o que é ser homem e mulher, criando uma hierarquia entre feminino e masculino.
Além disso, o trabalho doméstico realizado pelas meninas, o cuidados dos irmãos e irmãs mais novos, casamentos e gravidez na adolescência, a influência das religiões nas decisões políticas educacionais dos países que interferem na educação dos direitos sexuais e reprodutivos, os conflitos armados, um entorno escolar perigoso e violento são exemplos de situações que afastam as meninas das instituições de ensino. Isso resulta, por exemplo, em índices maiores de analfabetismo entre as mulheres nos países da região. No Peru e na Bolívia, para cada homem não alfabetizado, entre 3 e 4 mulheres estão na mesma condição. Na America Central, 25% das pessoas maiores de 15 anos são analfabetas e em sua maioria são mulheres e meninas pobres, indígenas e moradoras das zonas rurais.
Para a CLADE, embora haja avanços nas últimas décadas, ainda persistem graves diferenças na efetivação dos direitos humanos de homens e de mulheres. "É urgente o reconhecimento de que existe, sim, discriminação de gênero e desigualdades no sistema educacional. Este reconhecimento, bem como de suas causas e conseqüências, é fundamental para que o problema seja superado. Na Semana de Ação Mundial 2011, esperamos lembrar os Estados e a comunidade internacional de que os direitos humanos são indivisíveis e de que ao promover o direito à educação, promove-se todos os outros direitos humanos", conclui Camilla.
Alguns exemplos de discriminação de gênero nas escolas:
- Associação de mulheres e homens a trabalhos, atividades e comportamentos dentro de padrões sociais e culturais patriarcais nos livros didáticos.
- Invisibilidade de mulheres protagonistas na História, Artes ou Ciência.
- Diferença de expectativa no sonho de carreira profissional para meninas e meninos, eleição de profissões "para elas" e "para eles".
- Falta de estrutura para receber a jovem gestante ou lactante
- Feminilização e desvalorização do trabalho na educação infantil, incluindo reduzidos salários
- Falta de informação sobre os direitos sexuais e reprodutivos levando a uma discriminação por orientação sexual ou por identidade de gênero
SOBRE A CAMPANHA LATINO-AMERICANA PELO DIREITO À EDUCAÇÃO (CLADE)
A CLADE é uma articulação plural de organizações da sociedade civil que atuam na defesa do direito à educação de qualidade, público e gratuito, de responsabilidade do Estado, para todos e todas. A Campanha, presente em 19 países da América Latina e Caribe, contribui com o debate sobre educação e atua na construção de uma agenda educativa latino-americana, assim como nos processos de incidência nas políticas educativas de todos os países e regiões.
Fonte: EVOÉ Comunicação